quarta-feira, 27 de julho de 2011

Em matar um possível “chupacabra”, teria um adolescente cometido um crime?


Toda as pessoas já pensaram ter visto um chupacabra. A criatura mítica nomeada pelo seu hábito de renome de sugar o sangue de pequenos animais pode, em breve, ser revelada como um membro da família canídeo, um grupo que inclui cães, coiotes e raposas (se a história lendária estiver correta, é claro – o que não é muito provável).

Recentemente, um menino chamado Carter Pope, de 13 anos, do Texas, EUA, matou o que ele alega ser o monstro. Ele atirou no animal três vezes quanto o avistou a atravessar um campo aberto.

Carter garante que não era um cão. “Era parecido, mas não tinha pelo”, disse o menino. Porém, a criatura não estava, sem suspeitamente, sugando o sangue de nada, apenas a caminhar através de um campo.

O pai de Carter enviou amostras para confirmar, através da análise de ADN, se a descoberta histórica é verdadeira.

Outros “chupacabras” mortos ou encontrados no Texas foram todos identificados como animais conhecidos, incluindo cães domésticos, coiotes e até mesmo um guaxinim.

Muitos dos animais parecem estar ou estão quase sem pelos por causa de uma doença comum, causada por ácaros. Outros animais podem ser carecas por causa de um defeito genético. Ainda há cães de raças sem pelo.

A história de Carter tem atraído tanto a atenção nacional quanto internacional, alimentando especulações sobre a terceira besta mais conhecida do mundo (depois do Pé Grande e do monstro do Lago Ness).

Mas o facto de que um adolescente do Texas atirou e matou um cão sarnento ou coiote é talvez menos interessante do que a questão do por que ele pensou que a criatura fosse o temido chupacabra.

O mito do chupacabra só remonta a 1995, quando uma testemunha avistou o monstro em Porto Rico.

Muitas pesquisas depois, ficou provado que o chupacabra original não era real, mas sim um monstro descrito em um filme de ficção científica. Desde então, nenhuma prova concreta da besta surgiu, e a história foi mantida viva por ocasionais canídeos selvagens, sem pelos, como o que provavelmente Carter atirou.

Ironicamente, Carter pode acabar metendo-se em confusões com os defensores dos direitos dos animais – ou até mesmo a lei.

Carter, um menor de idade, presumivelmente tinha permissão de seus pais para levar a espingarda que usou para atirar no bicho, como exigido por lei no Texas. Mas só porque uma pessoa vê um animal que não reconhece, não significa necessariamente que tem o direito de atirar e matá-lo. O animal não estava atacando nada, nem sendo um incómodo.

E, enquanto a criatura era, provavelmente, um cão selvagem ou coiote, poderia ser um animal de estimação do vizinho, doente ou perdido.

Se o animal for mesmo um cão, Carter poderia ser acusado de crime. O Código Penal do Texas fala sobre crueldade contra os animais, proibindo uma pessoa de matar, ferir ou administrar veneno para um animal que não seja bovino, equino, ovino, suíno ou caprino, sem autorização legal ou consentimento eficaz do proprietário.

Carter e seu pai disseram que nunca viram criatura igual antes, e que se fosse um animal conhecido, iriam reconhecê-lo. Porém, a notícia que roda é que o animal parece idêntico a milhares de cães sarnentos e coiotes que vagam pela América do Norte.

Essa é a mesma lógica que os crentes de OVNIs usam, assumindo que qualquer luz estranha no céu, que eles não conseguem identificar, deve ser uma nave alienígena. A lição é: só porque você não reconhece, não quer dizer que seja misterioso (ou que você deve matá-lo). Isso, e mais o facto de que atirar num cão ou num coiote torna-se notícia internacional se você chamá-lo de chupacabra.

fonte: HypeScience

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